Jagual XKR Coupé 4.2 V8
Motor 4.2 V8 de 416 cv. Caixa automática de seis velocidades. Tracção traseira. Controlo de estabilidade. Pneus larguíssimos. Suspensão desportiva. Design agressivo. O novo XKR Coupé é, não só, o Jaguar mais apetecível da actualidade, como é, também, uma fera domesticável.
Concebido a partir do XK, o XKR é, sem rodeios, o melhor e mais apetecível Jaguar da actualidade. Disponível nas variantes Coupé e Convertible, adiciona ao modelo que lhe serve de base um design mais agressivo, uma dinâmica apurada e mais 118 cv e 149 Nm, graças à instalação de um compressor volumétrico no motor V8 de 4,2 litros.
É um dos mais exclusivos e venerados coupés de altas performances do mercado. Por isso, aperte o cinto de segurança e prepare-se…
Prata da casa
Há quem o confunda com um Maserati. Outros há que preferem assemelhá-lo a um Aston Martin. Talvez esta última associação seja, de facto, mais feliz do que a primeira. Seja como for, a verdade é que o novo XKR Coupé consiste na prata da casa Jaguar.
A começar, precisamente, pela opcional cor metalizada da carroçaria “liquid silver” (e1040). O porte atlético deve–se à enorme frente, às cavas das rodas salientes, ao desenho dos grupos ópticos e às opcionais jantes “Senta” de 20″ com cinco raios duplos (2160 euros).
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As “guelras” laterais incluem um friso cromado, exibindo, também, uma chapa gravada com o nome da marca. Nas pinças de travagem, escuras, é visível a sigla R. O deflector colocado no topo da mala, o lettering R e as quatro saídas de escape são os cartões de visita da traseira.
Quanto à frente, sobressaem as tomadas de ar da grelha e pára-choques e as duas cavidades do capot (nas quais se pode ler “Supercharged”). Há realmente poucos coupés com o encanto do XKR. No entanto, não gostámos de um detalhe: a antena. Inestética devido à sua localização e tamanho, não se coaduna com o requinte e a elegância deste coupé. Não havia outra solução?
Menos agressivo do que o exterior é, sem dúvida, o interior. Dispõe de um ambiente desportivo, claro, mas está longe de ser exuberante. O opcional acabamento alumínio “Weave” (525 euros) aplicado no tablier e na consola central resulta muito bem, combinando na perfeição com os revestimentos em pele, as aplicações cinzentas (volante e portas) e outras pequenas superfícies cintilantes.
O posto de condução é muito bom. Embora o banco, que dispõe de múltiplas regulações eléctricas, pudesse oferecer um suporte lateral mais eficaz, o seu posicionamento é perfeito, tal como a colocação dos pedais, alavanca da caixa, comandos secundários e volante (este último propõe dupla regulação eléctrica e oferece uma pega excelente, devido ao seu desenho e espessura).
Dotado de espaços de arrumação presentes em número razoável, o interior do XKR dispõe de uma habitabilidade convincente apenas nos lugares dianteiros, já que os dois bancos posteriores não quase decorativos. A qualidade de construção é muito boa.
Quanto a equipamento, para além da lista de série, esta unidade deve parte do seu agrado às várias opções de que dispõe: jantes de 20″ (2160 euros); acabamentos em alumínio (525 euros); sistema de acesso sem chave (575 euros); controlo da pressão dos pneus (575 euros); faróis dianteiros activos (640 euros); sistema de som Premium (1350 euros); sensores de estacionamento dianteiros (470 euros); sensor de qualidade do ar (75 euros); e pintura metalizada (1040 euros).
Atitude feroz
Mas aquilo que distingue o XKR dos restantes coupés é a sua atitude feroz. Domesticável, mas feroz. Com 416 cv e 560 Nm, explorados através de uma caixa automática ZF de seis velocidades (dispõe dos programas “D”, “DS” e “Manual”, sendo este último mais rápido e operado através das patilhas no volante), o mais performante Jaguar da actualidade é um desafio constante para o condutor.
O motor 4.2 V8, dotado de uma sonoridade semelhante à de um trovão, não foi, de facto, feito para cumprir o Código da Estrada. É impressionante a facilidade com que se atingem velocidades proibitivas, mesmo não exagerando na dose de acelerador.
Os números falam por si: 5,3 segundos nos 0-100 km/h; 13,5 segundos nos 0-400 metros; 24,1 segundos nos 0-1000 metros; 2,4 segundos nos 60-100 km/h; 3,2 segundos nos 80-120 km/h. A velocidade máxima por nós atingida preferimos não mencionar. Digamos apenas que a escala do velocímetro vai até aos 280 km/h…
Com uma distribuição de peso de 52% para a frente e 48% para trás, o XKR anuncia um peso de 1665 kg graças à utilização exaustiva de alumínio, quer na estrutura quer na carroçaria. Para além das vias largas, esta unidade deve a sua superior aderência e estabilidade aos opcionais pneus larguíssimos que a equipam: Dunlop SP Sport Maxx, de medida 255/35ZR20 na fente e 285/30ZR20 atrás.
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O controlo de estabilidade é desligável em duas fases: um primeiro toque no botão desactiva apenas o controlo de tracção; um segundo, bem mais prolongado, desliga todo o sistema. Como facilmente compreenderão, foram poucas as vezes que nos atrevemos a fazê-lo…
Apesar do seu aspecto feroz, o XKR não é muito exigente do ponto de vista dinâmico. Claro que 416 cv e 560 Nm transmitidos às rodas posteriores exigem alguma contenção e (muito) sangue-frio, mas não mais do que isso. Tudo porque a facilidade de condução é grande e o nível de conforto invulgar para um coupé de elevadas performances.
A suspensão, desportiva, não é excessivamente firme.
A direcção, menos directa e incisiva face à de outras propostas existentes no mercado, dispõe de assistência variável em função da velocidade. Os travões, de discos ventilados nas quatro rodas, agradam em sensibilidade, mas poderiam ser mais resistentes à fadiga.
Os primeiros quilómetros são percorridos com alguma cautela, mas, nos seguintes, o condutor já estabelece um diálogo na primeira pessoa com esta fera. Ao volante do XKR, a maior exigência é, como sempre, acertar com a velocidade de entrada em curva. Claro que o DSC intervém se as coisas se complicarem, mas tudo acontece a um ritmo alucinante e impróprio para cardíacos.
Custa 139 640 euros o Jaguar XKR Coupé (146 525 euros esta unidade). Pela imagem, design, performances e, claro, pelo preço, é um modelo que marca profundamente quem com ele convive. Foi por isso que andámos quatro dias acima das nuvens…
Fonte: Automotor














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