Mitsubishi Outlander 2.0 DI-D Instyle
A Mitsubishi parece destinada a deixar de ser um outsider na classe nacional dos SUV compactos, com a entrada em cena da nova geração do Outlander. Concebido com base na nova plataforma global da marca, a qual irá dar origem ao futuro Lancer, o novo Outlander registou uma evolução assinalável face ao seu discreto antecessor, para se tornar uma séria ameaça aos principais protagonistas do seu segmento, nos quais se incluem os seus compatriotas Toyota RAV-4, Nissan X-Trail e Honda CR-V.
Esta transformação radical sente-se no visual mais afirmativo e dinâmico, no habitáculo mais espaçoso e versátil e no comportamento mais envolvente, associado a um bom nível de conforto. Mas, especialmente para o mercado português, o atributo mais importante a que o Outlander teve direito foi o motor turbodiesel 2.0 DI-D com 140 cv, de origem Volkswagen, que se adapta a este SUV como uma luva. As qualidades intrínsecas do modelo são ainda realçadas pelas comodidades oferecidas por um nível de equipamento de topo presente na versão avaliada (Instyle), que, no entanto, se faz pagar caro ao nível da competitividade.
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FIGURA DE ESTILO
Mantendo praticamente inalteradas as suas dimensões face ao modelo anterior, com a excepção dos 10 cm adicionais de comprimento, a carroçaria do novo Outlander distingue-se de imediato pelo seu estilo aguerrido. Os designers da marca japonesa conseguiram injectar neste SUV alguns traços originários dos modelos de competição, patentes especialmente na sua frente autoritária, onde sobressaem a grelha e os grupos ópticos de formas rasgadas. A traseira é também bastante imponente, graças ao seu amplo óculo traseiro e aos farolins com tecnologia LED.
Esta operação estética radical permite agora ao Outlander vincar bem a sua presença entre o trânsito, um factor sempre aliciante para quem já está inclinado para um modelo desta classe.
O habitáculo também procura cativar os ocupantes para uma atmosfera envolvente, mas alguns pormenores de design já são de gosto mais discutível. O painel de instrumentos assume formas bastante apelativas, mas os mostradores são mais banais, destacando-se apenas pelas cores garridas. De qualquer forma, com a ajuda suplementar das aplicações em couro, exclusivas da versão Instyle, o ambiente interior do Outlander é bastante agradável e convidativo.
A qualidade dos materiais não deslumbra, mas também não compromete. Isto porque os plásticos duros são uma constante por todo o habitáculo, mas, ao menos, não são muito ásperos ao toque. Já a montagem não merece grandes reparos, notando-se uma boa solidez na junção dos painéis.
A posição de condução é outro ponto a jogar a favor deste SUV, apesar da ausência do ajuste em alcance do volante. As regulações eléctricas do banco, o bom posicionamento dos pedais e o correcto acesso aos principais instrumentos permitem ao condutor acomodar-se facilmente.
Para transportar pequenos objectos no interior, existem numerosas e práticas soluções, como os dois compartimentos fechados integrados discretamente no tablier, o generoso compartimento central com espaço para arrumar as bolsas de CDs, as amplas bolsas laterais com espaços bem definidos para garrafas de água de 0,30 litros e o porta-luvas bipartido, cujo piso superior é refrigerado.
O espaço oferecido aos ocupantes é generoso, especialmente para quem viaja na segunda fila de bancos. Esta última pode ser movida longitudinalmente, maximizando o espaço para as pernas, que, nesta situação, ficam a cerca de um palmo dos assentos dianteiros.
Esta versão conta ainda com uma terceira fila de bancos oculta sob o piso da bagageira, fila esta que é apenas simbólica. Com uma espessura e largura mínimas, estes bancos só podem ser utilizados por crianças de estatura reduzida e só em situações de recurso, se não de desespero, pois o espaço para as pernas é praticamente inexistente. Dotada de um portão de abertura bipartida, a mala oferece uns convincentes 771 litros de capacidade, que se podem expandir para 1691 litros com o rebatimento dos bancos traseiros.
BOM ANDAMENTO
O motor turbodiesel de 2,0 litros e 140 cv enquadra-se perfeitamente na filosofia do novo Outlander, pois oferece um desempenho linear e progressivo desde os baixos regimes, permitindo um ritmo de condução muito agradável para um SUV. Em situações de esforço, nota-se uma resposta mais lenta, denunciando que o binário máximo de 310 Nm não chega para todas as encomendas. O ruído de funcionamento deste motor está longe de ser discreto, tornando-se bastando notório sempre que se “puxa” mais por ele.
De qualquer forma, numa utilização estradista, o condutor não precisa de efectuar grandes esforços para manter uma velocidade estável. A caixa manual de seis velocidades está bem escalonada e revela uma precisão aceitável.
O desempenho dinâmico é outro dos pontos fortes deste novo Outlander. Beneficiando de uma geometria multilink no eixo traseiro, a suspensão tem um pisar firme e consistente, ao mesmo tempo que assegura um bom nível de conforto para os ocupantes, mesmo em pisos mais irregulares.
A direcção mostra-se reactiva e o rolamento da carroçaria, mesmo em estradas sinuosas, é bastante controlado, conseguindo transmitir a sensação de um SUV ágil e divertido de conduzir em qualquer tipo de percurso asfaltado.
Para incursões fora-de-estrada, o condutor pode seleccionar o modo 4WD, operação que pode ser feita em andamento, através de um comando rotativo na consola central. Em situações de aderência mais precária pode activar-se o botão 4WD Lock, que transfere ainda mais binário para as rodas traseiras.
Este esquema de tracção integral permite ao Outlander circular com à-vontade em pisos de terra batida, mas o acesso a “trialadas” mais exigentes é limitado pela reduzida altura ao solo.
O nível de equipamento Instyle inclui alguns itens mais “exóticos”, dos quais destacamos de imediato o impressionante sistema de som Rockford Fosgate, com 650 Watt e 8 colunas, processador digital de sinal e um vistoso subwoofer de 25 cm instalado na bagageira. O recheio generoso proposto de série projecta o preço deste Outlander para cerca de 44 mil euros, mas existem versões mais ponderadas, propostas abaixo dos 40 mil euros.
Fonte: Automotor

















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