Porsche 911 Targa 4S

April 1, 2007
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Chegou a Portugal o novo 911 Targa. Disponível apenas com tracção integral, a grande novidade é o tejadilho panorâmico em vidro, criado pela Magna Steyr CTS, com uma superfície de 1,5 m2. Composto por duas camadas, com 2,6 mm cada, pode ser parcialmente aberto e está preparado para absorver raios ultravioleta, apesar de transparente.

Para quem quer mais do que um 911 Coupé, mas não aprecia particularmente o Cabriolet, o novo Targa é a opção a tomar. Até porque não existe outro 911 dotado de tecto de abrir eléctrico. O novo Targa assume a expressão máxima na versão S.

Six appeal
Musculado, elegante e imponente, o Targa deve todo seu six appeal à carroçaria em forma de bala e, sobretudo, ao motor de seis cilindros Boxer. Face aos 911 Carrera 4S Coupé e Cabriolet, distingue-se pelo tejadilho, pelo lettering específico existente na traseira e pela moldura superior dos vidros cromada.

As pinças de travagem vermelhas, as quatro saídas de escape, o deflector traseiro e os pneus larguíssimos (Michelin Pilot Sport, de medida 235/35ZR19 no eixo dianteiro e 305/30ZR19 no eixo traseiro) são os elementos mais marcantes. Nem mesmo o mais desinteressado por automóveis consegue ficar indiferente à presença do 911 Targa. Tudo porque este desportivo apela aos sentidos e provoca um sentimento especial.

Bem construído, desportivo e funcional, o interior oferece um posto de condução simplesmente perfeito. Tudo está, de facto, na posição certa.

O espaço interior é bastante razoável, mas apenas nos lugares dianteiros, uma vez que os dois bancos posteriores têm um efeito quase decorativo. Bem menos agradáveis são os ruídos parasitas provenientes do tejadilho. Face aos restantes 911, o Targa distingue-se pelo tecto panorâmico em vidro. Mediante um botão, pode ser aberto, a qualquer velocidade, em apenas sete segundos. O mesmo botão permite deslizar electricamente uma cortina, de modo a evitar a intromissão excessiva do sol. Para além de oferecer maior luminosidade, o interior do Targa parece, de facto, mais amplo, graças à superfície vidrada. Por sorte, pudemos ver o eclipse lunar sem sair do banco…

Dotado de uma mala (debaixo do capot dianteiro) com 105 litros de volume, o Targa propõe mais 230 litros atrás dos bancos dianteiros, desde que se rebatam os traseiros. O acesso a este local é feito através do óculo traseiro.

Mas parte do agrado do “nosso” Targa deve-se, também, aos 15 353 euros de extras. A saber: carroçaria em preto “basalto” (922 euros); emblema colorido Porsche no centro das jantes (173 euros); revestimentos em couro natural cinzento “pedra” (3034 euros); kit de carbono (794 euros); tapetes da cor do interior (140 euros); aquecimento dos assentos dianteiros (435 euros); pára-brisas com faixa graduada (109 euros); sensores de estacionamento traseiros (525 euros); pacote Sport Chrono Plus (819 euros); módulo de telefone (845 euros); módulo de navegação ampliado (2227 euros); preparação para sistema de veículos roubados (192 euros); sistema de som Bose (1242 euros); bancos desportivos adaptáveis (2714 euros); retrovisores anti-reflexo e sensor de chuva (570 euros); punho da caixa desportivo (614 euros).

3, 2, 1… go!
Para quem gosta de guiar depressa, sobretudo em estradas sinuosas, e, no final, voltar para casa com as peças todas, o 911 Targa é uma escolha acertada. A tração integral permanente contempla uma embraiagem viscosa muito compacta, montada no eixo dianteiro, responsável pela repartição do binário entre a frente e a traseira, que varia em função das condições de aderência.

As rodas dianteiras podem receber entre 5% e 40% do binário, de modo a manter, assim, as características típicas de um Porsche. A suspensão firme, os pneus largos, a direcção superdirecta, os travões potentes e o comando da caixa preciso tornam o desempenho dinâmico uma referência. Para além do botão Sport, existe um que torna o amortecimento mais firme, outro que permite circular com o deflector traseiro sempre erguido e outro que permite desactivar o PSM, se o objectivo for colocar a traseira deslizar. É que a tracção total não impede elegantes derivas.

Ligada a ignição e acordado o possante motor Boxer, foi como num rali: 3, 2, 1… go! Nos arranques a fundo, o estômago parece subir à boca e sente–se o cérebro a flutuar dentro do crânio. A facilidade com que se atingem velocidades proibitivas é, de facto, impressionante.

Prova disso foram as medições por nós efectuadas: 4,7 segundos no arranque dos 0-100 km/h, tendo os 400 metros sido atingidos em 13,0 segundos e os 1000 metros cumpridos em 23,8 segundos. Embora o motor 3.8 prefira regimes acima das 4000 rpm, as reprises são muito boas, graças ao correcto escalonamento da caixa.

O desempenho dinâmico faz alternar sorrisos de prazer com expressões de pânico, em função das circunstâncias. A direcção tem a precisão de um relógio suíço, estabelecendo diálogo na segunda pessoa do singular entre o condutor e as rodas da frente.

O comando da caixa é uma delícia em termos de manuseamento, embora exija poder de decisão. A embraiagem, que funciona como um interruptor on/off, é dura. Os travões são muito bons, e a travagem 90-0 km/h por nós medida foi a melhor de sempre alguma vez registada: 25 metros!

A firmeza da suspensão confere elevada estabilidade. As ondulações da estrada e os trilhos marcados no asfalto pelos camiões de alta tonelagem não obrigam a constantes correcções na direcção como num 911 de tracção apenas traseira. A rigidez torcional do Targa é anunciada como superior à do cabrio.

Chegámos ao fim desta etapa ao volante do Porsche 911 Targa 4S. É um desportivo pouco acessível, sem dúvida, mas vale por tudo o que oferece e representa: 140 021 euros (155 374 euros a unidade ensaiada). Quem o conduziu, jamais o esquecerá…

Fonte: Automotor

Categorias: Ensaios

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